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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Computadores no Brasil e Mainframes

O Brasil representa o terceiro maior mercado mundial de Mainframe, atrás apenas de USA e Japão.
A China vem crescendo, como em todas as áreas, e a Alemanha vem logo em seguida.  No entanto, essa não é uma conta fácil  de ser feita, dependendo do indicador observado (capacidade instalada, número de mainframes, máquinas não-IBM, valor monetário, etc...) pode-se ter alguma variação nesse ranking, principalmente abaixo dos Top 5.
Independente de como é feita a conta, a verdade é que o Brasil teve uma penetração muito grande da plataforma IBM Mainframe, desde o seu lançamento e cresceu muito nos anos 70.  Essa penetração criou todo um eco-sistema em torno da plataforma, com o surgimento de empresas provedoras de maquinas compatíveis (PCM's), fabricantes de periféricos, fabricantes de software básico e soluções de negócios, faculdades e empresas de Outsourcing, entre outros.

Com a onda do Downsizing, nos anos 90, mesmo todo esse eco-sistema tendo sido bastante reduzido, ainda assim teve capacidade para se manter ativo. Quando, no inicio dos anos 2000, a plataforma Mainframe retomou seu crescimento no mercado, devido ao eco-sistema ainda existente, o Brasil foi onde se verificou maior vigor de crescimento, subindo no ranking mundial e se tornando um centro de excelência mundial para vários fornecedores para a plataforma, seja de soluções ou de Outsourcing, inclusive para a própria IBM, que estabeleceu seu maior centro de Outsourcing global em Campinas, SP.      

A grande penetração no Brasil dos Mainframes, decorre de dois motivos fundamentais :
1. Presença da IBM no Brasil desde 1917, com fábricas e estrutura de vendas.
2. Política de Informática , a chamada reserva de mercado, que proibiu a importação de computadores para competir com os de fabricação nacional.  Como a IBM já tinha fábrica no Brasil, passou a produzir localmente os computadores da família S/370 e com isso conquistou o mercado.



No texto abaixo, trazemos um resumo da história da computação no Brasil, que esclarece um pouco mais os diversos momentos pelos quais o Brasil passou e como a indústria de computadores se desenvolveu.

Inicio dos Computadores  no Brasil    
Fontes: Guerrilha tecnologica , de Vera Dantas , 1988
              Industria da Informatica , Clélia Piragibe, Editora Campus, 1985 
            
A história da evolução dos computadores no Brasil é o resultado de tres fatores:
.  vontade politica do governo em incentivar o desenvolviemnto da industria nacional, 
.  participação de empresas estrangeiras radicadas no país atraves de importação e/ou de suas fábricas no país
.  evolução da tecnologiada informação a nível mundial.   

Esse processo desenvolveu-se em tres fases distintas, sendo a primeira de 1957  a 1972,  caracterizada pela livre importação,  a segunda fase que vai até metade dos anos 80 onde instalou-se uma politica governamental com níveis graduais de incentivo a industria nacional e restriçoes a importação,  culminado com a reserva de mercado e  a terceira fase, que vai até 1992 com o fim da política de informática e a abertura do mercado.

A partir de então o Brasil se torna um player  importante na economia  cada vez mais globalizado, mesmo sem a sua industria ter atingido a posição planejada no início da jornada.   

Os primeiros computadores
Os computadores começaram a chegar no Brasil no final dos anos 50 pelas mãos do  governos do estado de São Paulo, que trouxe o primeiro em 1957, um Univac-120, maquina com 4500 valvulas que tinha como finalidade o controle do consumo de água na cidade.  Em 1959 a Anderson Clayton introduziu o primeiro computador da IBM no país, um Ramac 305, com mil valvulas e disco de 150 KB, complexo que ocupava todo um andar da empresa.

Nessa época, o governo começou a se preparar para adotar os computadores no setor público, criando um grupo de estudo que apresentou seu plano estrategico no início de 1959, onde recomendava a criação de um Centro de Processamento de dados (CPD) para fomentar o uso dos computadores e formação de  profissionais, definindo  tambem as politicas de importação de computadores.  

A partir desse momento a iniciativa privada começa a importar computadores com maior frequencia.  A Pontifícia Universidade Católica do rio de Janeiro (PUC-RJ) foi a primeira, trazendo um Burroughs-B205 e mais tarde um IBM -7044,   o IBGE trouxe um Univac- 1103 (ou 1105????), que nao chegou a funcionar por problemas tecnicos e falta de componentes no pais, e a Lista Telefonicas Brasileiras trouxe um computador Bull-Gama.

A Universidade de São Paulo (USP)  foi a segunda instituiçao universitária a ter um computador , um IBM-1620,  em 1962 e a UFRJ ganhou seu IBM-1130 no final dos anos 60.  Também nessa época a Petrobras já instalava seu CPD com equipamentos IBM.  

Com a crescente difusão dos computadores, os principais fabricantes mundiais se estabelereceram no país. 

O ITA passou a ser o principal provedor de mão de obra para essas empresas, não somente pelo alto nível do Instituto mas tambem pelo intercambio que mantinha com os principais centros academicos do mundo em computação,  nos EUA e Europa.
  
A IBM já se encontrava estabelecida no Brasil desde 1917 em função de suas linhas de produtos anteriores ao computador e nessa época já operava na Av. Presidente Vargas, no Rio de Janeiro.

Políticas de Informática
Em 1967, na presidencia de Artur da Costa e Silva, o governo lança o Plano Estratégico de Desenvolvimento, primeira tentativa oficial de estabelecimento de uma politica para o desenvolvimento de tecnologia nacional e fabricação de equipamentos eletrônicos,  computadores entre eles,  financiando os principais centros academicos do pais para  a implementacao dessa politica.  Para conduzir as políticas estabelecidas, foi criado um grupo denominado  Grupo de Trabalho Especial, com representandes da Marinha.

A USP ganhou o primeiro projeto dessa iniciativa,  em 1968, inaugurando o seu laboratório de Sistemas Digitais   e já em 1970 abria vagas para curso de formação em computadores.  Em 1972  assinava o primeiro contrato com a Marinha para fornecer um computador para equipar suas fragatas, ganhando acirrada concorrencia contra  PUC-RJ e Unicamp.        

O Univac-1105 do IBGE não funcionou a tempo de atender o censo de 1960 e com medo de perder tambem o censo de 1970, o IBGE fez uma parceria com a PUC-RJ  que entregou os primeiros resultados do censo dois anos após a conclusão do censo,   processado no IBM-7440 e inaugurando o centro de processamento de dados do IBGE, denominado Instituto Brasileiro de Informatica (IBI) .  Os dados finais foram concluidos em 1975 já usando um IBM 360/158 ,   o primeiro da familia S/360 no Brasil.

Em final de 1964 é fundado o SERPRO, com o objetivo de outomatizar os orgãos arrecadadores federais, que começa sua operação com um computador IBM 1401 e dois Univacs-1004.

No final de 1971, levantamento realizado pelo Ministério do Planejamento apontou a existencia de cerca de 600 computadores no país, sendo 75% da IBM, 20% da Burroughs e 5% de outros.  O Brasil representava entre 0.5% e 1% do mercado mundial (* fonte: guerrilha tecnologica- Vera Dantas).  

A produçao nacional até esse momento se resumia a alguns poucos modelos de computadores de médio porte, em uso na Marinha, e alguns periféricos para os equipamentos de grande porte.

CAPRE
Esse cenario, de pouco avanço da inicitiva nacional em pouco mais de cinco anos de investimentos, gerou grande preocupacao na cúpula do governo que buscou acelerar o desenvolviemtno da industria nacional através da criaçao da Comissão de Coordenação  das Atividades de Processamento  Eletronico , CAPRE,  via decreto  assinado pelo ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Veloso , em 5 de Abril de 1972.
(*fonte – Revista de Administração – Abril/junho 1983- Gileno Fernandes Marcelino).

Em 1973, numa de suas primeiras ações, a CAPRE mapeou o nível de penetração dos computadores no Brasil  e chegou a contar  cerca de 700 computadores distribuídos por 636 empresas, entre pequeno, médio e grande porte e empregando pouco mais de 11 mil profissionais .     Apesar do crescente uso de computadores no Brasil , ainda representava  pouco se comparado com EUA e França. 

O predominio da IBM e da Sperry  na adoção dos computadores  incomodava  os lideres do governo que vinham cada vez mais distante o atingimento de seus objetivos.
Mas isso não era um cenário que ocorria somente no Brasil.   Paises como Japão, Inglaterra, Alemanha e até mesmo a França, que via reduzida sua presença no mercado nacional e internacional após o lançamento da familia S/360 da IBM,  partiram para politicas protecionists de sua indústria. 

Em abril de 1973, o governo cria a  Digibrás, tendo como acionistas a Petrobras, Telebras, Serpro e BNDE (antigo BNDES) e  cujo objetivo era acelerar o desenvolvimento de computadores  para fins militares, em parceria com a firma inglesa Ferranti e para fins civis,  em parceria com a japonesa Fujitsu.
(fonte:  forum TIC -  http://www.forumtic.org.br)

Com a posse do novo presidente Ernesto Geisel em 1974, o governo decide reforçar a politica de informática  e lança a nova versão do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) ,  dando maior enfase na fabricação de componentes eletronicos, circuitos integrados e centrais digitais de telecomunicações.   

Já nessa época, o parque de computadores instalados no pais, de acordo com relatórios da CAPRE, apresentava cerca de 2700 maquinas entre minis, médio e grande porte, um crescimento de aproximandamente 50% em relação ao ano anterior, sendo que  mais de 98%  era fruto de importação.   
 
A Burroughs  liderava  no segmento de minis e a IBM nos de médio e grande porte. 
A Honeywell-Bull vinha em terceiro lugar seguida de Olivetti, Philips, DEC, HP NCR e outras de pequena representatividade e que totalizavam cerca de 35 empresas  estrangeiras no setor eletro-eletrônico.
     
Restrições a importação
Diante de tal cenário, em que os investimentos e esforços do governo não pareciam alterar o quandro de dependencia das importanções, o governo decidiu colocar restrições aos processos de  importação,  decretando um conjunto de regras que restrigiam e dificultavam a importaçõa de peças eletronicas, computadores e periféricos, a partir de dezembro de 1975.       

Simultaneamente,  incentivou a formação de joint-ventures entre empresas nacionais e estrangeiras que trouxessem know-how  para o país.    

Como resultado dessa política, a Digibras se associou a inglesa Ferranti e foi criada a  COBRA- Computadores do Brasil,   em Julho de 1974.   

Os desdobramentos da politica de restrição as importações  juntamente com o incentivo a indústria nacional, acabou por desenhar um cenário de  ‘Reserva de Mercado‘ 
Onde o mercado seria segmentando por áreas, algumas a serem supridas pela indústria nacional, essencialmente  para  minicomputadores e áreas que continuariam abertas as importaçoes, e outras a serem supridas pelas multinacionais radicadas na pais.              

Dentro dessa segmentação,  caberia a COBRA suprir o mercado com computadores de pequeno porte, além de alguns periféricos para os demais fornecedores.

A concorrencia tornou-se mais acirrada com a competitividade da Cobra e com a expectativa de crescimento do mercado brasileiro, atraindo com isso investimentos dos grandes players mundiais.     

Em 1977, começa-se a ver alguns resultados da politica de restrições a importação,   com o surgimento de empresas nacionais como LABO, SID, EDISA e SISCO, todas privadas, criadas a partir de  tecnologias licenciadas por empresas internacionais e com o compromisso de desenvolvimento local.   

Em Junho de 1976 a IBM anuncia a fabricação,  no Brasil, do seu modelo mundial de minicomputador ,  o Sistema /32, com a expectativa de competir nesse segmento com as vantagens de um produto nacional,  mas acabou batendo de frente com os minis de empresas nacionais, protegidas pelas leis de informática, e após mais de um ano de  embates politicos, a IBM não teve a fabricação do /32  autorizada por aqui.

 Pouco tempo depois de ver seu plano para o S/32 cair por terra, a IBM  obteve permissao para produzir  na fábrica de Sumaré-SP alguns modelos da familia S/370,  especialmente configurados para o mercado brasileiro.  Novamente, o mainframe expandia  suas raízes no Brasil.       

Ao lado das estatais e orgãos publicos, os bancos foram as primeiras empresas a instalarem computadores, sendo o Bradesco o primeiro entre eles quando em 1961 instalou um IBM 1401, no ano seguinte a banco Nacional instalou um Burroughs e em  1965 o Itaú instalou um IBM 1401.  Em 1968 o Bamerindus começava a usar um Univac.

A informatização dos bancos se deu em ritmo muito lento, a automação de processos sofreu grande resistencia por parte dos funcionários, em alguns casos até boicote, mas nem por isso  a transformação em curso deixou de acontecer.  

Motivados pela boom economico que o país passava nos anos 70, a indústria bancária passou por um processo de grandes transformações,  onde os grandes bancos adquiriram os bancos regionais, formando os grandes grupos nacionais.

Foi nessa época que Bradesco, Itaú, Nacional , Bamerindus, Real, Banorte e Unibanco se alastraram por todo o pais e lideraram o processo de informatização no setor.

Bradesco e Itaú, foram mais além do que simplesmente se informatizar.  Vendo a capacidade de transformação que os computadores representavam, resolveram criar o seu próprio braço de tecnologia.   O Itaú criou a Itaútec com o objetivo de oferecer tecnologia bancária  para todo o setor, não apenas para seu próprio consumo.

O Bradesco por sua vez, resolveu fomentar empresas já existentes, como Cobra, Sid e Digilab.

SEI
Em 1979, com o objetivo de centralizar toda a politica de informatica do Brasil, incluindo os segmentos de Software e micro-eletronica, que começavam a surgir em torno do crescimento da industria nacional na area de mini-computadores, é criada a Secretária Especial de Informática (SEI), iniciando suas atividades no início do ano seguinte,  em substituiçào a CAPRE e subordinada ao Conselho de Segurança Nacional.

Já sob o governo do general João Batista Figueredo, as politicas de informática sofrem nova revisão e é criada a SEI (Secretária Especial de Informática) , submetida ao Conselho de Segurança Nacional,  extinguindo-se a CAPRE.  Como maior novidade,  as diretrizes da SEI começam a fomentar a indústria de Software, e não apenas o Hardware, como até então.   Não demoraria muito o fim da Digibras.     

A SEI segmentou a industria em seis classes de computadores, de acordo com criterios de capacidade de processametno, memória e  faixa de preço, sendo que as classes de 1 a 4, que englobavam desde os microcomputadores,  equipamentos de escritorio e até os super-minicomputdores,   ficam reservados para a indústria nacional enquanto as classes 5 e 6, representados pelos computadores medios, grandes e super-grandes, ficam liberados para importação.  

De acordo com a classificação obtida pela SEI, os computadores IBM-4341 e
Buroughs-6900 tiveram autorização para comercialização no país.

Isso abriu um enorme mercado para o estabelecimento da segunda geração de maquinas de arquitetura S/360 no Brasil, lançada em 1976 nos Estados Unidos, e que contribuiu para a difusão da plataforma no Brasil, mas não seria a única, outras tantas situações como essa ocorreriam nos próximos anos.

No final desse mesmo ano, alguns modelos de mainframe da familia 4331 também tiveram sua fabricação aprovada no país. 

A informatização ía de vento em popa nos setores público, federal e estadual, e bancário. E foi justamente nesses setores que o mainframe se estabeleceu e isso persiste até hoje.    

Numa rápida avaliação da situaçao do mercado brasileiro em fins de 1981, os números se mostravam muito animadores em todos os segmentos, minis, micros, periféricos, representando a indústria nacional enquanto no segmento não-reservado,  IBM e Burroughs também não tinham do se queixar.  

De acordo com dados da SEI de 1981, existiam 2800 mainframes instalados no país, entre IBM (45%), Burroughs (15%), HP(15%)  e Honeywell-Bull(5%), Sperry Univac, Fujitsu tambem apareciam nas estatísticas. 

Esses números continuaram crescendo ao longo dos anos 80, chegando ao seu máximo no final da década e já começandoa cair no início dos anos 90.

Entre as empresas nacionais com a sua produção de minis e micros, a Cobra aparecia no topo das estatísticas, seguida de Labo, SID, Edisa, Sisco e várias outras de menor porte.    

O Brasil começava a se firmar entre os maiores mercados de informatica do mundo, depois de Estados Unidos, Japão e de alguns poucos países da Europa, mas ganhando posições sobre esses últimos. 

O Bradesco inaugurava sua primeira agencia On-line no final de 1981, desencadeando uma acirrada competição com o Itaú, que veio a inaugurar a sua pouco tempo depois, baseado num gerenciador de transações desenvolvido por ele mesmo e que continua operacional até os dias de hoje.

Nessa mesma época começam a surgir no cenário internacional, os computadores pessoais, liderados por Intel e IBM.   Esse fato desencadenha uma nova corrida entre os fabricantes de computadores, abrindo uma nova era na industria,  popularizando a tecnologia e tornando-a acessível para toda a sociedade. 

Surge um novo e gigantesco mercado, onde as companhias globais tem vantagem competitiva pela escala de produção e dominio da nova tecnologia. Novamente, as empresas nacionais se vêem remando contra a maré.  

Aliado ao cenário da computação mundial, outros fatos começavam a influenciar a política de informatica.   Devido a crise mundial de petróleo, a economia já não apresentava o vigor dos anos 70 e os incentivos do governo a indústria nacional começaram a escacear.  No campo político, o governo militar começada a dar sinais de restabelecer os plenos poderes as instituições democráticas,  permitindo o debate aberto em torno da política de informática.  A sociedade começada a clamar por ‘ Diretas Já ‘ . 

Ao longo dos anos 80, cresce o debate político no congresso em torno dos principais temas nacionais e a politica de informática e’  um deles, quando em 1984 é anunciada a Lei de Informática, última tentativa do governo de inpulsionar a indústria nacional com leis protecionistas e restriçoes as grandes multinacionais.

A disputa partidaria voltava com liberdade ao congresso nacional e colocava em questão a manutenção da SEI, que perdia espaço e que veio a ser definitivamente extinta em Outubro de 1992, já sem forças de continuar lutando contra as leis do livre mercado.     

Sem entrar em maiores discussões politicas desses cerca de 20 anos de política de informática e a reserva de mercado,  mas reconhecendo que o aspecto  politico foi predominante ao aspecto tecnologico  e mercadologico, sob o angulo da penetração e estabelecimento do MF no mercado brasileiro,  pode-se dizer que esse período foi muito frutífero para a adoção e expansão do MF no Brasil.  

Apesar de todas as restriçoes ao capital e tecnologia estrangeiros, a IBM conseguiu transpor essas barreiras mais do que qualquer outra empresa de igual situação, soube encontrar as brechas das leis, soube posicionar o seu produto e soube cativar o mercado.

Durante esse período, o Brasil se tornou um dos maiores mercados mundiais de MF e isso lhe garantiu excelente retorno durante os anos de vacas gordas e gerou uma reserva técnica para os anos de vacas magras,  que viriam logo a seguir.     


Por outro lado, de todas as empresas nacionais que surgiram como resultado das diversas políticas de informática, apenas a COBRA se mantem até os dias de hoje, mas num modelo totalmente diferente daquele que foi originalmente concebido.

 As Multinacionais no Brasil
A IBM iniciou suas atividades no Brasil em 1917, muito antes de existirem computadores no mundo, originalmente com maquinas tabuladoras e automação de escritório.  Quando entrou para o mercado de computadores, foi natural disponibiliza-los no mercado brasileiro através de importação, no primeiro momento e  fabricação local, num segundo momento.  A sua participação no mercado brasileiro de computadores foi uma decorrencia natural das suas atividades  por aqui, juntamente com outras linhas de produtos.
    
A Burroughs, outra grande empresa até os anos 80, instalou-se por aqui em 1953, inicialmente produzindo calculadoras e maquinas registradoras para o segmento bancário.
Nos anos 1986 adquire a Sperry e passa a se chamar Unisys, que aos poucos se retrai do mercado de computadores entrando para a área de prestação de serviços em TI, onde se encontra até hoje.        

Além dessas duas, que se destacaram no segmento de mainframes, outras grandes empresas se instalaram no país ao longo dos anos 50 e disputaram principalmente o segmente de mini-computadores , entre elas Sperry Rand, Olivetti, NCR, Honeywell e  HP, esta última mais voltado para aplicações científicas e de engenharia.

Com o crescimento exponencial do MF no mundo e no Brasil a partir dos anos 70, surgiram empresas que produziam computadores compatíveis com a arquitetura do S/360, as principais entre elas são Fujitsu/Amdhal  e Hitachi,  que permaneceram no país até meados dos anos 90. A partir de então partem para outros segmentos  do mercado de informática.  Hoje fabricam computadores de arquitetura Unix, periféricos, unidades de armazenamento de dados e soluções para o setor bancario.   
 
As diversas politicas de informática implantadas pelo governo brasileiro em conjunto com as transformações passadas  no mercado mundial de informática e a acelerada evolução da tecnologia fez com que essas empresas saíssem do mercado, com exceção da HP, que fez desses fatores motor para o seu crescimento.

No final dos anos 80, início dos anos 90, é fundada a SUN Microsystems, que surge no mercado de servidores Unix, inicialmente para aplicações científicas e engenharia mas com o surgimento do novo mercado de telefonia celular e a Internet, posiciona-se nesses segmentos e tem seu nome associado a modernidade tecnológica, obtendo grande sucesso.
Foi a precursora da linguagem Java, da qual se tornou proprietária.
Em 2009, a Sun Microsystems é adquirida pela Oracle .