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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Como Explicar a Longevidade do Mainframe ?

Desde que comecei a publicar esse blog, a coisa que mais tem me perturbado o sono é explicar, para mim e para os leitores, como uma tecnologia dura tanto tempo.  Essa questão fica mais relevante hoje em dia quando notoriamente a indústria, de modo geral, produz bens de consumo descartáveis.

Ninguem tem a expectativa que um carro vá durar mais de dez anos, como era o fusca, ou que um eletrodoméstico dure mais do que cinco anos.   Em se tratando de produtos de informática, a expectativa é bem menor ainda, visto a aceleração que essa indústria vive e que rapidamente seus produtos se tornam obsoletos.



No caso do Mainframe, agora comemorando 50 anos, essa obsolescencia  não ocorreu, preservando-se o principal patrimônio que as empresas produziram sobre essa plataforma, que são os aplicativos (programas) e os dados sobre os quais esses programas atuam.

E por que se deu essa longevidade do Mainframe ?  
Em primeiro lugar , se deve a proposta de valor  que foi definida desde o seu desenho, que era a total compatibilidade dos aplicativos entre os modelos de máquinas, de modo a que os programas escritos usando-se um determinado modelo e versão do sistema operacional, continuasse a funcionar quando se trocasse algum desses elementos.

Pode parecer piada, mas até então, toda vez que a empresa mudava de modelo de máquina IBM, tinha que readequar os programas. Com os demais fornecedores ocorria o mesmo problema.

Essa foi a grande revolução do S/360.  A IBM prometeu a seus clientes que NUNCA MAIS  teriam que readequar seus programas por motivo de troca de modelo de máquina ou versão do sistema operacional.  

Essa foi a grande mudança de paradigma e o grande alavancador do S/360.

Essa promessa foi materializada via arquitetura do HW, (CPU e periféricos) e pela arquitetura do sistema operacional.

A arquitetura de I/O, implementada no S/360, que se postergou por todos esses anos, permitiu que o modelo de CPU fosse desacoplado do modelo do periférico de I/O, permitindo com isso que cada um fosse modernizado/alterado independentemente do outro.    

Isso também possibilitou que surgisse um eco-sistema com vários fornecedores de CPU , periféricos e aplicativos, o que por sua vez também contribuiu para reforçar a penetração do mainframe no mercado.

Essa garantia de compatibilidade possibilitou a formação de um grande legado de aplicativos produzidos pelas empresas, e isso explica em muito essa longevidade da plataforma.

Mas isso não explica tudo.  Que outros fatores contribuíram para essa longevidade ?
Bom , sem dúvida, o primeira de todos foi a qualidade do  'produto' que gerou um grupo de clientes satisfeitos atraindo empresas que precisavam dessa qualidade para viabilizar seus negócios, como ocorreu com empresas do sistema bancário, da aviação comercial, indústria de seguros e outras, inclusive área militar.  

A questão da proposta de valor inicialmente colocada, certamente  foi muito importante, mas somente se realizou como valor a medida que os clientes atualizavam seu mainframe e se estivessem insatisfeitos não ocorreriam essas atualizações.

Outros elementos que vieram em consequência desse sucesso inicial, e que posteriormente se tornaram ícones da plataforma, como segurança, disponibilidade, confiabilidade , que juntos formaram o conceito de RAS (Reliability, Availability ,  Serviceability), se juntaram ao compromisso da compatibilidade e resultando na plataforma que se transformou no Benchmark da indústria de computação comercial .

Agora fica a questão , será que nos dias de hoje uma promessa de compatibilidade dos aplicativos seria atraente ?   Essa questão esta resolvida na indústria ? Todos os provedores de plataformas computacionais atendem a esse requisito ou isso ainda representa um diferencial da plataforma mainframe ?

E você, como explica essa tecnologia durar por tanto tempo ?
Coloque aqui a sua opinião.